
29/04/1969
Fevereiro 17, 2008Nenhum dia poderia ter tido tanto trabalho quanto aquele. Priscilla não conseguiu se desvencilhar das pilhas de documentos, telefonemas e estagiários o dia todo. Apesar de sua apreensão em tentar ajudar Paca, a pesquisa teria de ficar para depois do expediente, quando tranquilamente poderia gastar um tempo mais dedicado ao fato.
“Vinte Nove de Abril de Mil Novessentos e Sessenta e Nove.”
Enter.
Os resultados traziam poucas coisas.
Documentações sobre uma arregimentação para a causa do ensino superior e lideranças de diversas áreas sociais, econômicas e profissionais de Novo Hamburgo. O que isso está fazendo aqui em São Paulo?
Que data estranha, ainda não tem nada arquivado no computador. Vou olhar os arquivos originais.
Todos documentos estão dispostos em armários perfeitamente enfileirados e organizados. São corredores enormes e gelados formados por gavetas empilhadas do teto ao chão. Gaveta após gaveta, etiquetados e ordenados por data, milhares de documentos. Existem acervos fotográficos, atestados de óbito, leis, promoções, doações de terrenos e uma infinidade de outros documentos. Alguns chegam a ficar ilegíveis com o tempo, é um processo preocupante e necessitam de restauração e digitalização. Priscilla percorria sisuda as pastas com os dedos médio e indicador com velocidade de quem há muito lidava com tais materiais. Bastava uma rápida passada de olhos e ela já elencava a relevância do papel. Olhou no relógio e imaginou que Paca já deveria estar em casa. É difícil manter a concentração naquele ambiente silencioso e após um dia de trabalho, Priscilla começava a distrair-se e quando se deu conta folheava alguns documentos aleatórios enquanto pensava porquê Paca lhe parecia tão infantil. Como ele pôde excluí-la de seus planos futuros, como ele poderia acreditar que ainda tinha tanto a conquistar antes de se casarem? Eles já não eram mais crianças…
Registros de patentes, cada coisa estranha. Luminárias, máquinas de depenar galinhas, torcedor de roupas, sapatos … Nesta hora um título em negrito, datilografado em um papel amarelado com as bordas se desfazendo gritaram aos olhos da dispersa Priscilla.
“MYETTA”
Sim, era aquele nome e a data conferia…
E? e o resto?
E O QUE EU PENSEI… E O RESTO?